2022-04-08 IAOD
José Maria Pereira Coutinho
“Precisamos de turistas, como de “o pão para a boca” e o Governo deve avançar de imediato com os cartões de consumo no valor de oito mil patacas para minimizar o sofrimento das famílias”
Vivemos, os momentos mais difíceis, desde o estabelecimento da RAEM. Macau precisa de turistas para sobreviver. Sem turistas, Macau “afunda-se” e mais difícil será a recuperação económica, social e familiar. As empresas e os restaurantes não aguentam sem turistas e se a situação persistir, muitas mais empresas (nos ramos de actividade de restauração, vendas a retalho, exposições e de turismo) vão fechar os negócios e o desemprego vai aumentar. As autoridades competentes têm de assumir as responsabilidades dos cargos que desempenham e tomar decisões em tempo útil sob pena de serem extemporâneas.
A RAEM e os Governos de muitas províncias do interior do continente têm uma cooperação muito eficaz que permite a detecção rápida das pessoas que eventualmente tenham contactos com os casos de contágios do vírus COVID-19 em Macau. As autoridades competentes têm coordenado bem o controlo da epidemia com a dedicação dos trabalhadores da função pública e voluntários das associações civis. A população tem respeitado escrupulosamente as instruções do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus.
Depois de muita pressão social, as autoridades competentes decidiram reduzir o período de quarentena de 21 dias passando para 14 dias acrescidos de 7 dias de autogestão, ou seja, pelo menos 15 dias úteis de ausência forçada no trabalho, mas descontadas nos dias de férias. São férias forçadas por serem contra a sua própria vontade. Confunde-se, medidas sanitárias compulsivas com o direito de gozo de férias dos trabalhadores. Apelo assim, às autoridades competentes, para que seja respeitado o direito fundamental das férias dos trabalhadores e não serem obrigados a descontar nas férias pessoais.
Porém, se tiver contraído o Covid19, por infelicidade e contra a sua própria vontade, apenas pode regressar a Macau depois de dois meses e devidamente munido do certificado de recuperação, de acordo com as instruções escritas dos Serviços de Saúde (Anúncio n. º171/A/SS/2021). Isto é desumano e manifestamente violento e exagerado.
Além disso, aquilo que o Governo “dá na mão direita é retirado pela mão esquerda” face às enormes dificuldades de reservar os quartos no hotel oficialmente indicado pelo Governo. Neste momento, é impossível fazer reservas até princípios do mês de Julho. Outros dizem, que só se pode fazer reservas um mês antes do seu regresso, e normalmente os quartos estão quase sempre esgotados. E as autoridades competentes ignoram completamente estas queixas e não explicam como se deve resolver. Os serviços competentes, propositadamente, não atendem às chamadas telefónicas nem respondem aos emails quanto às muitas dúvidas dos residentes que pretendem regressar a Macau. Se o objectivo é dificultar ao máximo, então não é razoável esta medida de redução do período de quarentena 21 para 14 dias.
Macau, tem condições, para receber mais turistas, do interior da China para que as pequenas e médias empresas dos vários ramos de actividade possam sobreviver e desenvolver as suas actividades, com a desejada normalidade, dando-se segurança e estabilidade aos postos de trabalho dos residentes de Macau.
Neste sentido, apelo ao Governo da RAEM para envidar os máximos esforços junto das autoridades do interior do continente para aumentar o número da vinda dos turistas do interior do continente a Macau. Mantendo-se a actual situação, tudo vai piorar, quer economicamente, quer social quer familiar. E os suicídios vão aumentar.
Outra questão grave, tem a ver com as famílias, cujos pais e as mães estão desempregados, e muitas estão endividadas devido à necessidade do pagamento das rendas das casas, alimentação e educação dos seus filhos. Há imensas famílias com dificuldades em pagar as amortizações bancárias e estão a pedir empréstimos aos familiares e amigos. Muitos membros destas famílias estão deprimidos e sob observação psicológica e medicação. Em meados do corrente ano, milhares de licenciados entrarão de imediato na situação de desemprego, aumentando a taxa de desemprego, porque está dificílimo encontrar um emprego em Macau.
Assim, para aliviar o sofrimento de milhares de famílias em extremas dificuldades, apelamos ao Governo da RAEM, para que proceda de imediato à injecção de 8 mil patacas no cartão de consumo electrónico e já a partir do mês de Abril do corrente ano, aliviando-os e ajudando a ultrapassar a difícil situação financeira.
Muito Obrigado.